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4月2日 Você pode ter defeitos
Você pode ter defeitos
Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que SUA vida é a maior empresa do mundo. Ser feliz é encontrar a força dentro de si, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida, pelos sucessos alcançados no passado e continuar na batalha pelo futuro. É saber falar de si mesmo. É ter segurança para receber uma critica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você". É ter capacidade de dizer "eu te amo".
3月3日 Era o profundo cansaço da lutaEra o profundo cansaço da luta
Então a sede estranha e profunda me apareçeu. Eu precisava,precisava com urgência-de um ato de liberdade
:do ato que é por si só.Um ato que manifesta fora de mim o que eu secretamente era. E necessitava de um
ato pelo qual eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar
o alto preço que custa viver.
Então minha própia sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão.Interrompi meu trabalho, mudei
mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um taxi que passava e disse ao chofer: "Vamos ao jardim Botânico"
"Que rua?", perguntou ele. " O senhor não está entendendo" , eplique-lhe; " não quero ir ao bairro e sim,
.ao jardim do bairro. " Não sei por que olhou-me.
Deixei abertas as vidraças do carro,que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que o
que o vento fortíssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato, de olhos entrefechados de
felicidade.
Eu ia ao Jardim Botânico pra que? Só pra olhar. Só pra ver, Só pra sentir, Só pra viver.
Saltei do taxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. La a vida verde
era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, ao ar, à vida, tudo se erguia
em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério.
O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recem-plantados. Olhei uma árvore de tronco nodoso e
escuro, tão largo que me seria impossível abraça-lo. Por dentro dessa madeira de rocha,através de
raízes pesadas e duras como garras-como é que corria a seiva, essa coisa quase intangível e que é vida?
Havia seiva em tudo assim como ha sangue em nosso corpo.
De propósito não vou escrever o que vi:cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia
sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade
. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raízes incógnitas. Eu andava, andava.
As vezes parava. Ja me afastara muito do portão da entrada, não o via mais, pois entrara em tantas
alamedas. Eu sentia um medo bom_ como um estremecimento apenas perceptível de alma _ um medo bom
de estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! Achar a porta de saída.
Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua
boca jorrava água. Bebi. Molhei-me toda.Sem me incomodar:Esse exagero estava de acordo com a abundância
do jardim.
O chão estava às vezes coberto de aroeira, daquelas que caem em abundância nas calçadas de nossa infância
e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo
senti o misterioso gosto bom.
Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco, voltarei num dia de muita
chuva_ o gotejante jardim submerso.
Clarice Lispector
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